Quase metade das mulheres brasileiras afirma não se sentir respeitada em seu cotidiano. É o que mostra uma pesquisa do DataSenado em parceria com a Nexus e com o Observatório da Mulher contra a Violência, divulgada hoje. O levantamento ouviu mais de 20 mil mulheres entre maio e julho deste ano, cobrindo todas as regiões do país.
Uma das conclusões mais marcantes é a percepção de insegurança nos espaços públicos. Para 49% das entrevistadas, as ruas são o lugar onde mais vivenciam situações de desrespeito — desde assédio verbal até comportamentos invasivos. Dentro de casa, o índice cai para 21%, mas ainda representa cerca de 3,3 milhões de mulheres que não consideram o próprio lar um ambiente seguro.
O estudo também indica que 94% das mulheres classificam o Brasil como um país machista, e 79% afirmam perceber aumento nos casos de violência. Essa percepção reforça alertas de especialistas, que destacam o crescimento de registros de agressões, feminicídios e violências psicológicas, especialmente entre mulheres jovens e de baixa renda.

Outro ponto preocupante é o impacto emocional: muitas relatam medo de circular sozinhas, desconforto em ambientes masculinos e dificuldade de denunciar agressões. A pesquisa também sugere que a desinformação e o desconhecimento sobre canais de denúncia ainda são grandes barreiras.
Para especialistas, os dados reforçam a necessidade de políticas públicas integradas que vão além da segurança — incluindo educação, campanhas de conscientização, fortalecimento da rede de apoio e investimentos em prevenção. Parlamentares já sinalizam que usarão o levantamento para propor novos projetos de lei, especialmente nos campos de violência doméstica e assédio.
O estudo reacende o debate sobre o papel da sociedade e do Estado no combate à violência de gênero — e sobre como o Brasil ainda tem um longo caminho para garantir respeito e segurança para todas.


