A economia brasileira registrou crescimento tímido de 0,1% no terceiro trimestre de 2025, segundo dados divulgados nesta terça pelo IBGE. O resultado veio ligeiramente abaixo da projeção de mercado — que esperava alta de 0,2% — e reforça a sensação de estagnação que marca o desempenho econômico do país ao longo do ano.
O PIB, que representa a soma de tudo o que o Brasil produz, totalizou R$ 3,2 trilhões no período. Na comparação com o terceiro trimestre de 2024, o avanço foi mais robusto: 1,8%. Ainda assim, o cenário divide analistas entre um “crescimento lento, porém consistente” e um “travamento estrutural” causado por juros altos, baixo consumo e investimentos desaquecidos.
Setorialmente, os números trazem nuances importantes. A Agropecuária apresentou alta de 0,4%, puxada por cadeias ligadas à exportação, enquanto a Indústria subiu 0,8% — resultado visto como sinal de estabilização após meses de quedas. Já os Serviços, responsáveis pela maior fatia da economia brasileira, avançaram apenas 0,1%, praticamente empatando com o trimestre anterior.
Outro ponto de atenção é o comportamento do consumo das famílias, também com crescimento de apenas 0,1%. Com inflação ainda pressionando o bolso e crédito caro, o apetite do consumidor segue baixo — o que afeta diretamente setores como varejo, turismo e alimentação. Especialistas afirmam que esse desaquecimento do consumo tem sido o principal freio para uma recuperação mais vigorosa do PIB.

Apesar dos números fracos, o governo tenta adotar discurso de otimismo moderado. A equipe econômica argumenta que a manutenção do crescimento, ainda que pequeno, demonstra resiliência diante de um cenário global instável. Já economistas independentes apontam fatores que continuam travando o país: produtividade baixa, burocracia elevada e incertezas sobre o ambiente fiscal.
O último trimestre do ano será decisivo para fechar o desempenho de 2025 — e, por enquanto, o país parece seguir no modo “maré mansa”: sem grandes tombos, mas sem grandes saltos.


