As motocicletas se tornaram protagonistas dos acidentes de trânsito no Brasil — e de forma alarmante. Um estudo divulgado pelo Ipea revela que as motos, que representavam apenas 3% das mortes no trânsito no fim dos anos 90, hoje respondem por quase 40% dos óbitos.
O crescimento acompanha a explosão da frota nacional. Em 1998, o país tinha cerca de 2,7 milhões de motos; em 2024, esse número ultrapassou 34 milhões. O aumento está diretamente ligado à popularização das motocicletas como meio de transporte acessível e como ferramenta de trabalho, principalmente com o avanço dos aplicativos de entrega.
Segundo o Ipea, 60% das internações por acidentes de trânsito também envolvem motos, gerando mais de R$ 270 milhões em gastos hospitalares somente em 2024. O SUS sente os impactos, especialmente em grandes capitais, onde as emergências já operam acima da capacidade.

O perfil das vítimas também chama atenção:
✔ 70% têm entre 20 e 49 anos
✔ Jovens de 20 a 29 anos são maioria
✔ A maior parte é de homens (quase 9 em cada 10 mortes)
✔ Pessoas pardas representam a maioria dos mortos
✔ Mais da metade tem ensino fundamental incompleto
As causas se dividem entre imprudência, falta de infraestrutura, excesso de velocidade, trabalhadores exaustos e precarização das condições de trabalho. Especialistas pedem medidas como fiscalização mais rígida, investimento em educação no trânsito, ciclovias e programas de proteção a motociclistas profissionais.
O estudo reforça que o trânsito brasileiro continua sendo um dos maiores problemas de saúde pública do país — e que as motos, embora essenciais para milhões, representam um risco crescente se nada mudar.


