Vento contra no agronegócio: As cotações do trigo registraram uma queda acentuada nos últimos dias no campo, impactando diretamente os produtores, especialmente na região Sul do Brasil, a principal produtora do grão. Dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) apontam que a desvalorização foi intensa, resultado de uma combinação de fatores de oferta e concorrência internacional.
No Rio Grande do Sul, o preço do trigo registrou um tombo de mais de 10% em apenas um mês, fixando-se na casa dos R$ 1.080 por tonelada. No Paraná, apesar de a queda ter sido um pouco menor, em torno de 5%, o preço ficou pouco abaixo dos R$ 1.200 por tonelada. Essa redução drástica ocorreu mesmo com as chuvas, que atrasaram a colheita em algumas regiões, o que, em um cenário normal, tenderia a elevar os preços devido à restrição de oferta.

Acontece que, independentemente do atraso, a queda está diretamente ligada ao fato de o mercado estar em pleno período de safra do trigo. Com grandes volumes de grãos sendo colhidos e disponibilizados, a oferta interna aumenta significativamente.
O principal fator de pressão, no entanto, é a entrada de mercadoria de outros países no mercado brasileiro. O trigo importado, em muitos casos, chega com preços mais competitivos do que o grão nacional. Essa concorrência internacional força os produtores brasileiros a baixarem seus preços para conseguir escoar a produção, resultando na forte desvalorização observada. A situação coloca um desafio para a rentabilidade dos agricultores e reforça a necessidade de políticas que protejam a produção nacional contra a volatilidade do mercado global.


