Se houvesse uma palavra para definir a trajetória recente de Manu Gavassi, seria autonomia, longe de se acomodar no conforto do sucesso pop ou nos holofotes das redes sociais, a artista abraçou a maturidade de quem percebeu que o verdadeiro poder na indústria do entretenimento não está apenas em estar na frente das câmeras, mas em decidir para onde elas apontam.
Neste novo momento, Manu deixou de ser apenas a protagonista de sua história para se tornar, oficialmente, a sua roteirista e diretora.
A virada de chave mais emblemática dessa fase foi a fundação do Estúdio Gracinha, aberto em 2024 em sociedade com o produtor Felipe Simas, o projeto, batizado de forma quase irônica e provocadora em um mercado majoritariamente masculino, consolida a veia criativa que a artista vinha experimentando nos últimos anos.

O Gracinha não nasceu para competir com a produção em massa. É, nas palavras da própria Manu, uma produtora “boutique”, focada em escolher a dedo as histórias que merecem ser contadas.
Entre os projetos mais ambiciosos dessa nova fase estão as adaptações literárias para o audiovisual, a cantora adquiriu os direitos da biografia de Nara Leão, escrita por Tom Cardoso, e do romance satírico “Os Coadjuvantes”, de Clara Drummond.

Essa transição já havia sido pavimentada por seus curtas-metragens recentes como Programa de Proteção à Carreira Artística, onde ela usou a metalinguagem para criticar e refletir sobre as engrenagens da própria indústria musical.
Essa revolução criativa encontrou um eco profundo em sua vida pessoal, no final de 2024, Manu anunciou que estava à espera de seu primeiro filho com o ator Jullio Reis, a maternidade trouxe uma nova camada de sensibilidade e paciência ao seu processo criativo.
Em uma de suas reflexões marcantes durante a gravidez, ela comparou a concepção de seus novos projetos com o ciclo da natureza:
“Há dois meses eu olhei essa árvore aqui de casa e ela estava sem flores. […] Há dois meses, eu coloquei no papel o que seria meu próximo projeto. […] Entender e respeitar a natureza, o tempo dela florir…”
Esse respeito pelo “tempo de florir” é exatamente o que dita sua carreira hoje. A urgência dos algoritmos cedeu espaço ao ofício do storytelling. Seja assinando um roteiro, dirigindo uma cena ou escolhendo um elenco, Manu Gavassi canalizou sua inquietude para a criação de mundos.
O objetivo atual de Manu Gavassi, como ela mesma resumiu, é simples: ser feliz levando histórias lapidadas com carinho para as pessoas, ao unir a força de sua recém-descoberta maternidade com o controle absoluto de sua narrativa no Estúdio Gracinha, Manu prova que é perfeitamente possível envelhecer sob os olhos do público mantendo o frescor, a inteligência e, acima de tudo, a própria essência.



