A transição entre o fim do verão e o início do outono é, historicamente, o período mais crítico para a saúde pública brasileira no que diz respeito às arboviroses. Entramos em março com um alerta vermelho emitido pelo Ministério da Saúde: as fortes chuvas das últimas semanas, somadas às altas temperaturas, criaram o cenário perfeito para a proliferação acelerada do Aedes aegypti. Diversos municípios já decretaram situação de emergência e as emergências hospitalares registram um aumento exponencial de pacientes sintomáticos.
Os boletins epidemiológicos divulgados nesta segunda-feira (2) confirmam que a curva de contágio está em ascensão. A preocupação das autoridades não se limita apenas à Dengue clássica, mas também ao aumento da circulação de sorotipos que causam a Dengue hemorrágica, além de casos de Zika e Chikungunya. Campanhas de vacinação seguem em andamento para o público-alvo, mas a baixa adesão em algumas regiões preocupa os especialistas, que reforçam que a imunização é apenas uma das frentes de batalha e não substitui o controle de vetores.

A orientação para a população é de “tolerância zero” com a água parada. O esforço conjunto entre poder público e cidadãos é a única saída para evitar o colapso do sistema de saúde. Agentes de endemias intensificam as visitas domiciliares e o uso de fumacê em áreas de maior incidência. Médicos reforçam: ao primeiro sinal de febre alta e dores articulares, a busca por hidratação e orientação médica deve ser imediata, evitando sempre a automedicação que pode mascarar ou agravar o quadro clínico.


