O mês de março marca o verdadeiro início do calendário eleitoral no Brasil. Na próxima semana, abre-se oficialmente a “janela partidária”, período de 30 dias em que deputados federais e estaduais podem trocar de partido sem o risco de perderem seus mandatos por infidelidade partidária. Nesta segunda-feira, os corredores do Congresso Nacional já fervem com negociações, promessas de verbas de campanha e composições de chapas estaduais para o pleito de outubro.
A movimentação deste ano promete ser uma das mais intensas das últimas décadas. Com o fim de coligações proporcionais e a consolidação das federações partidárias, as legendas precisam garantir quadros competitivos para atingir a cláusula de barreira. Caciques políticos de todas as frentes estão em campo, assediando parlamentares com potencial de “puxadores de voto”. Para o Palácio do Planalto, a janela é um momento de apreensão: o governo tenta blindar sua base aliada para não perder força nas votações cruciais do primeiro semestre, enquanto a oposição busca atrair insatisfeitos para fortalecer seu bloco.

Além das trocas de siglas, os diretórios nacionais correm para filiar novos nomes, como influenciadores digitais, lideranças comunitárias e figuras do setor empresarial, cujo prazo final de filiação para quem deseja concorrer termina no início de abril. Analistas políticos apontam que a fotografia do Congresso no final de março será o indicador mais fiel das forças que disputarão o controle do país nos próximos quatro anos. O eleitor, por sua vez, acompanha de longe as manobras, aguardando a definição dos nomes que pedirão seu voto no segundo semestre.


