A Polícia Federal deflagrou hoje (15) a segunda fase da Operação Compliance Zero, uma das maiores investigações financeiras dos últimos anos, focada em supostas fraudes no Banco Master. O dono da instituição, Daniel Vorcaro, e seus familiares próximos — incluindo pai, irmã e cunhado — foram alvos de mandados de busca e apreensão em endereços de luxo espalhados por cinco estados. A ação resultou na apreensão de R$ 290 mil em dinheiro vivo, relógios de alto padrão e veículos importados, incluindo uma BMW e um Porsche. Em um endereço ligado aos investigados em Minas Gerais, os agentes também encontraram armas de fogo.

A pedido da PF, a Justiça autorizou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens dos envolvidos. Contudo, o caso ganhou um contorno jurídico atípico: o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que todo o material apreendido seja imediatamente lacrado e encaminhado ao Supremo, sem que a Polícia Federal realize a análise preliminar das provas. Essa decisão retira da polícia a competência imediata de periciar os documentos e dispositivos eletrônicos, centralizando a custódia no STF. Segundo os investigadores, o esquema envolvia o uso de fundos de investimento para inflar artificialmente o patrimônio do banco, contando com a participação de empresários conhecidos e gestoras de ativos.
Entre os alvos também está Nelson Tanure, investidor com histórico de participações em grandes empresas brasileiras, e Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro e CEO da Moriah Asset, que foi preso temporariamente. A defesa de Vorcaro afirmou que confia no devido processo legal e que as informações serão esclarecidas nos autos. O mercado financeiro acompanha o caso com apreensão, temendo que o desdobramento da investigação gere instabilidade no setor bancário de médio porte. O lacre das provas determinado por Toffoli deve prolongar o tempo necessário para que novas denúncias sejam formuladas, enquanto o STF avalia a validade dos procedimentos adotados até o momento.


