Alerta máximo para a desigualdade de gênero no trabalho! Um novo relatório do Ministério do Trabalho revelou que a diferença salarial entre homens e mulheres no setor privado não apenas persiste, mas aumentou, superando a marca de 20%. As mulheres agora recebem, em média, mais de 20% a menos que os homens, segundo o Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios.
O estudo avaliou 54 mil empresas com 100 ou mais empregados, cobrindo um período entre o segundo semestre de 2024 e o primeiro semestre de 2025 e analisando mais de 19,4 milhões de vínculos empregatícios. A presença feminina nas grandes empresas até cresceu um pouco, passando de 40% em 2023 para os atuais 41,1%. No entanto, a participação feminina na massa salarial total é desproporcionalmente menor: elas concentram apenas 35% do total pago em salários.

O cenário é ainda mais sombrio quando se considera o recorte de raça. O relatório aponta que a disparidade é gritante: mulheres negras recebem, em média, R$ 2.986,50, enquanto homens não negros alcançam R$ 6.391,94. Essa diferença brutal atinge mais de 50%, expondo a intersecção entre gênero e raça como o maior fator de desigualdade no mercado de trabalho formal.
Apesar de as empresas citarem fatores como tempo de experiência, metas de produção e planos de carreira para justificar a diferença salarial, o relatório destaca uma falha estrutural: menos da metade das companhias tem políticas ativas e estruturadas para promover mulheres, e apenas uma em cada cinco oferece auxílio-creche ou licença parental estendida. Essas ausências dificultam a ascensão feminina, já que a maternidade e os cuidados familiares continuam pesando mais sobre elas.

O documento aponta que a correção dessa disparidade não é apenas uma questão de justiça social, mas de economia: se a soma total dos salários fosse proporcional ao aumento da presença feminina, cerca de R$ 92,7 bilhões poderiam ser injetados na economia do país, um impulso significativo para o crescimento nacional.


