Chef paraense se recusa a cozinhar para o príncipe William no RJ por pedido de menu inusitado

O chef paraense Saulo Jennings anunciou que recusou o convite para comandar o jantar que seria oferecido ao príncipe William durante sua visita ao Rio de Janeiro para o evento Earthshot Prize 2025. A razão: a exigência de que o cardápio fosse 100% vegano, algo que o chef considerou incompatível com a culinária amazônica que representa. 

Segundo Saulo, que é Embaixador Gastronômico da OMT (Organização Mundial do Turismo), o pedido partiu da organização do evento — que esperava um menu sem ingredientes de origem animal, mesmo com a tradição regional envolvendo peixes e outros produtos amazônicos. Ele lamentou a imposição: “Os britânicos vêm da terra do ‘fish and chips’ e agora não comem peixe? Pegou mal essa determinação”. 

O jantar estava previsto para 5 de novembro, no Rio de Janeiro, com aproximadamente 700 convidados. O menu com limitação total de origem animal gerou desconforto para o chef, que inicialmente propôs incluir pelo menos 10% a 20% do cardápio com iguarias com peixe — sem obter sucesso. “Tentei ao máximo uma negociação. Mas não rolou”. 

Para Saulo, o caso expõe uma questão mais ampla: o receio ou preconceito em relação à culinária regional. “Às vezes não é nem porque a pessoa seja vegana. É receio mesmo! Este é o meu sentimento”, afirmou. Sua preocupação vai além de atender ao royal: ele quer levar, com autenticidade, o sabor da Amazônia — “a culinária da Amazônia é tudo o que vem dos rios e da floresta, incluindo o peixe”. 

O episódio gera repercussão no meio gastronômico e cultural: especialistas apontam que eventos internacionais precisam se sensibilizar com a cultura local, evitando impor padrões que desconsideram ingredientes regionais ou tradições culinárias. A socióloga Clara Brito afirma que “quando um chef recusa uma missão por restrição ao seu repertório, está colocando o debate em outro patamar: não é só jantar, é identidade”.

Com a recusa de Saulo, a organização do evento já definiu que a chef carioca Tati Lund, especializada em culinária vegetariana, assumirá o menu. O episódio, no entanto, deixa sua marca: o conflito entre protocolo internacional e gastronomia local está em evidência. 

Em síntese, o chef paraense optou por defender sua missão regional e recusou o contrato real. A decisão reverbera como símbolo de afirmação cultural — e levanta questões sobre quem determina o que é “aceitável” numa mesa internacional.

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