Deborah Evelyn atravessa 2026 com trabalhos que aproximam diferentes momentos de sua trajetória. Na televisão, interpreta Carmita em Quem Ama Cuida, novela das nove da Globo. No streaming, integra Dona Beja como Ceci. Nos palcos, a participação em Os Mambembes reafirma uma relação com o teatro que acompanha sua formação e ajuda a compreender a variedade de seu repertório.
Em Quem Ama Cuida, escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, Carmita acrescenta uma nova personagem de caráter duvidoso à carreira da atriz. A empresária se insere em uma história atravessada por interesses e disputas. O trabalho também renova a parceria de Deborah com Carrasco, presente em produções como Caras & Bocas, A Dona do Pedaço e Verdades Secretas II.
Em Dona Beja, lançada pela HBO Max em 2026, Deborah interpreta Cecília Sampaio, a Ceci. Mãe de Antônio, vivido por David Junior, a personagem se opõe à aproximação do filho com a protagonista de Grazi Massafera. Sua presença na trama expõe o peso das convenções sociais e do controle familiar sobre as escolhas afetivas, em uma narrativa ambientada no século XIX.

Essas personagens permitem olhar para uma característica recorrente de seu percurso: mulheres que exercem poder dentro das relações e revelam conflitos por trás da posição que ocupam. A família aparece, muitas vezes, como o espaço em que afeto e autoridade entram em choque. É um terreno dramático que Deborah visita em diferentes épocas e registros.
Em Celebridade, exibida entre 2003 e 2004, viveu Beatriz, cuja relação dolorosa com o filho Renato, interpretado por Bruno Gagliasso, marcou a trama de Gilberto Braga. Depois, trouxe o exagero cômico à vilã Judith, de Caras & Bocas, e a ambição social a Eunice, de Insensato Coração. Aproximar essas personagens evidencia diferenças importantes entre o drama familiar e a comédia.

O caminho começou na televisão em 1983, com a minissérie Moinhos de Vento, após ser descoberta por Walter Avancini. Dois anos depois, Lenita, de A Gata Comeu, aproximou seu rosto do grande público. A partir dali, trabalhos como Desejo, Anos Rebeldes e A Muralha ampliaram suas experiências na dramaturgia televisiva.
A convivência com a arte vinha de antes. Sobrinha e afilhada de Renata Sorrah, Deborah acompanhou a tia nos bastidores ainda criança. Essa proximidade antecedeu sua formação na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo e o início da carreira profissional.

O teatro permaneceu como parte consistente desse percurso. A atriz recebeu o Prêmio Shell de melhor atriz pelo trabalho em Baque e participou de montagens como Deus da Carnificina e Três Mulheres Altas. O repertório reúne autores e propostas cênicas distintos, ampliando as possibilidades de atuação para além da rotina das novelas.
Entre seus trabalhos recentes, Os Mambembes ganha um significado especial por colocar o próprio ofício em cena. Inspirado em O Mambembe, de Artur Azevedo, o espetáculo acompanha uma companhia itinerante e reúne Deborah com artistas como Claudia Abreu, Julia Lemmertz e Paulo Betti. Sob a direção de Emílio de Mello e Gustavo Guenzburger, o elenco se reveza em diferentes personagens.
Ao transformar os bastidores da profissão em assunto da cena, a montagem oferece ao público outro encontro com a atriz.



