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Edson Celulari além das telas: a história que poucos conhecem por trás de uma carreira brilhante


Existem artistas que fazem sucesso em determinado momento, outros conseguem algo muito mais raro: atravessam décadas, mudanças de público, transformações da televisão e novas gerações sem perder relevância, Edson Celulari pertence a esse segundo grupo.


Com uma trajetória que se aproxima de cinco décadas, o ator construiu seu nome muito além da imagem de galã que marcou diferentes momentos da televisão brasileira, teatro, televisão e cinema revelam um profissional que fez da interpretação um projeto de vida e que, aos 68 anos, continua buscando personagens, textos e novos desafios.


Nascido em Bauru, interior de São Paulo, em 20 de março de 1958, Edson Francisco Celulari teve uma aproximação quase cinematográfica com o palco. Quando jovem, sonhava inicialmente com o futebol, o teatro entrou em sua vida aos poucos, até transformar completamente seu caminho.


A vocação ganhou formação. Celulari estudou na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo, a EAD/USP, e iniciou sua trajetória profissional ainda na década de 1970, sua estreia na televisão aconteceu em 1978, na novela Salário Mínimo, da extinta TV Tupi.
Daquele jovem ator surgiria um dos grandes rostos da televisão brasileira


Em 1980, Edson Celulari chegou à Globo para atuar em Marina. A partir dali começaria uma impressionante sequência de personagens, somente entre 1980 e 1987, esteve em dez novelas. Vieram produções como Plumas & Paetês, Ciranda de Pedra, O Homem Proibido, Guerra dos Sexos, Amor com Amor se Paga, Um Sonho a Mais, Cambalacho e Sassaricando, mas reduzir Edson Celulari à condição de galã seria contar apenas uma parte de sua história.


Ao longo dos anos, ele mostrou uma característica fundamental para a longevidade artística: versatilidade, comédia, romance, drama e personagens de composição passaram por sua carreira.

Em Que Rei Sou Eu?, Deus nos Acuda, Fera Ferida, Explode Coração, Torre de Babel, América, Páginas da Vida, A Força do Querer e tantas outras produções, Celulari ajudou a construir momentos importantes da teledramaturgia brasileira, também esteve em minisséries como Decadência, Dona Flor e Seus Dois Maridos, Aquarela do Brasil e Um Só Coração, além de seriados e produções de humor.


Em 2023, mais de quatro décadas depois de sua chegada à Globo, voltou a ocupar posição de destaque em uma novela interpretando Nero, um dos protagonistas de Fuzuê.


Antes do galã, existe um homem de teatro
Talvez seja justamente nos palcos que se encontre uma das explicações para a consistência de sua carreira.
Celulari nunca abandonou o teatro.


Seu currículo reúne textos e personagens que exigem preparação e coragem artística: O Despertar da Primavera, Hamlet, Fedra, Calígula, Don Juan, Fim de Jogo, Dom Quixote de Lugar Nenhum, além do musical Hairspray e de Nem Um Dia se Passa Sem Notícias Suas.
São autores, linguagens e universos completamente diferentes, Shakespeare, Racine, Albert Camus, Molière e Samuel Beckett aparecem em sua trajetória teatral, isso diz muito sobre o artista.


A televisão tornou seu rosto conhecido por milhões de brasileiros. O teatro, entretanto, parece ter permanecido como uma espécie de casa artística, um lugar para continuar testando limites.


Em 2026, Celulari voltou aos palcos em uma montagem de O Beijo no Asfalto, clássico de Nelson Rodrigues. Mesmo depois de tantos personagens, continua falando sobre o ofício como alguém interessado na próxima aventura artística, e não apenas em celebrar aquilo que já realizou.


O cinema também faz parte dessa construção
Celulari levou sua presença para as telas de cinema e conquistou reconhecimento cedo.
Em Asa Branca, Um Sonho Brasileiro, de Djalma Limongi Batista, interpretou um jogador de futebol e recebeu o prêmio de Melhor Ator no Festival de Brasília, depois vieram filmes como Inocência, Ópera do Malandro, Brasa Adormecida, For All — O Trampolim da Vitória, Diário de um Novo Mundo e Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos, no qual também trabalhou como produtor.


Aliás, existe outro Edson Celulari que muitas vezes permanece longe dos holofotes: o produtor.
Sua atuação nessa área começou no início dos anos 1990, por meio de suas empresas de produção artística, ampliando sua participação na construção dos projetos para além da interpretação.


Talvez esse seja o ponto mais interessante de sua trajetória, quem acompanhou a televisão nos anos 1980 conhece um Edson Celulari, quem assistiu às grandes novelas dos anos 1990 conhece outro.


O público dos anos 2000 acompanhou novos personagens e uma geração ainda mais jovem pôde encontrá-lo em trabalhos como A Força do Querer, O Tempo Não Para e Fuzuê.


Poucos atores conseguem atravessar tantas transformações da indústria mantendo seu nome reconhecido.
A televisão mudou, a maneira de produzir mudou, os contratos mudaram, o público mudou, o streaming chegou, as redes sociais transformaram a relação entre artistas e espectadores e Edson Celulari permaneceu ator.


Recentemente, inclusive, falou publicamente sobre essa transformação do mercado e sobre como o fim dos antigos contratos longos tornou a realidade profissional dos atores ainda mais desafiadora. Sua mensagem para quem deseja seguir pela arte foi essencialmente uma, persistir.


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