Há despedidas que não precisam de palavras, em Cerro Grande do Sul, uma das cenas mais emocionantes do último adeus a Gilmar João Alba, o Gringo Loko, veio justamente de quem não poderia dizer nada mas carregava consigo anos de convivência, estrada e companheirismo.
Gilmar João Alba morreu aos 58 anos, na madrugada de segunda-feira, 21 de setembro de 2026, depois de sofrer um grave acidente enquanto cavalgava no domingo (20), em Cerro Grande do Sul.
Ex-prefeito do município, agricultor e empresário, ele mantinha uma relação próxima com o campo e com a tradição gaúcha, mas foi na despedida que uma imagem ganhou um significado especialmente profundo.
Durante o cortejo fúnebre, seu filho mais velho, Abner, montou o cavalo que havia acompanhado Gringo Loko por longos anos, não era apenas mais um animal seguindo uma homenagem, era parte de uma história construída no cotidiano, entre cavalgadas, campo e uma vida profundamente ligada ao interior.

Abner conduziu o cavalo no cortejo até a propriedade da família. A homenagem foi registrada em vídeo e repercutiu nas redes sociais pela força simbólica daquele momento, talvez justamente por isso a cena tenha tocado tantas pessoas.
De um lado, o filho carregando a continuidade de uma história. Do outro, o cavalo que durante tantos anos esteve ao lado de seu pai, e no centro de tudo, uma ausência impossível de explicar apenas com palavras.
Depois da cavalgada e do encerramento das homenagens na fazenda onde Gringo viveu, aconteceu um último gesto: o cavalo foi aposentado e solto no campo, nos mesmos espaços onde havia vivido ao lado de seu dono.
Não haverá mais a mesma cavalgada, não haverá mais Gringo sobre a sela mas aquele animal seguirá pelos campos que guardam parte dessa história.

A despedida ganha ainda mais significado porque o próprio cavalo fazia parte do universo que marcou os últimos momentos de vida de Gilmar, no domingo, Gringo participava de atividades ligadas às comemorações da Semana Farroupilha e cavalgava quando sofreu o acidente que lhe causou ferimentos graves.
Ele recebeu atendimento em Cerro Grande do Sul e posteriormente foi transferido para Porto Alegre, mas não resistiu, no dia seguinte à sua morte, familiares, amigos e moradores transformaram o cortejo em uma despedida marcada pela cultura do campo e pela identidade de um homem cuja trajetória esteve ligada à terra e talvez a imagem que permaneça não seja apenas a de uma personalidade pública.
Seja a imagem de um homem e seu cavalo, de um filho que, na ausência do pai, assumiu as rédeas para conduzir aquele companheiro por uma última estrada, e de um animal que, ao final do percurso, não voltou para uma cocheira para esperar a próxima cavalgada.
Como uma espécie de ponto final silencioso para uma história vivida lado a lado, existem despedidas feitas de discursos. Outras, de flores, abraços e lágrimas e existem aquelas em que nenhuma palavra consegue alcançar o tamanho do sentimento.
O último adeus de Gringo Loko teve quatro patas, atravessou o campo e terminou em liberdade.



