Existem pessoas que parecem carregar histórias demais para caber em uma única definição, Gabriela Machado Ramos é uma delas, aos 52 anos, ela olha para a própria trajetória com a intensidade de quem não passou pela vida apenas observando, viveu, arriscou, trabalhou, criou três filhos, construiu empresas, enfrentou ambientes profissionais predominantemente masculinos, apaixonou-se, recomeçou e, sobretudo, aprendeu a transformar experiências em histórias.
Gabriela é mãe de Guilherme, Rodrigo e Sérgio Luiz, é também a famosa “Tia Gabi”, apelido que nasceu da convivência com os amigos dos filhos e acabou revelando uma característica muito particular de sua personalidade: ela gosta de gente, sua casa se tornou ponto de encontro, os amigos dos filhos viraram quase filhos também.
E, no meio dessa convivência, Gabriela foi construindo uma espécie de laboratório involuntário sobre comportamento humano: histórias, namoros, conflitos, diferenças de gerações, conversas improváveis e situações que só a vida real consegue escrever, para ela, amizade também ocupa um lugar especial, algumas pessoas, acredita, tornam-se a família que escolhemos.
Por trás da personalidade alegre existe uma trajetória profissional consistente, Gabriela começou a trabalhar ainda adolescente. Aos 14 anos, conciliava os estudos pela manhã com o trabalho como professora ajudante à tarde. Mais tarde, formou-se em Administração de Empresas pela PUC-RS e passou pela Caixa Econômica Federal, na área de habitação.

Sua carreira ganhou força em um universo que, naquele período, era essencialmente masculino: a segurança.
Ao assumir desafios profissionais cada vez maiores, Gabriela precisou aprender não apenas sobre gestão, riscos e negócios, mas também sobre ocupar espaços nos quais poucas mulheres estavam presentes.
Em sua passagem pela Lojas Renner, enfrentou discriminação por ser jovem e mulher em um segmento dominado por homens. Segundo seu próprio relato, tornou-se a primeira mulher com carteira de trabalho assinada a ocupar um cargo de gestão em segurança no Brasil.
Não foi uma trajetória construída apenas com conquistas bonitas para colocar em um currículo.
Houve dificuldades. Houve decisões. Houve momentos em que foi necessário mudar completamente a direção e Gabriela mudou.
Em 2000, ela decidiu retomar sua empresa e aprofundou sua formação com especialização em Análise de Risco e Gestão de Crises. Sua atuação profissional avançou por diferentes segmentos até chegar à atual estrutura da PortoPonto, empresa que, segundo seu relato, completou 32 anos de atividade e atua com proteção de ativos, câmeras, alarmes, controle de acesso, perímetro, automação, redes e comunicação.
Mas existe um detalhe nessa história que diz muito sobre Gabriela, “o capacete rosa”, em meio a canteiros de obras, indústrias e ambientes historicamente masculinos, ele acabou se tornando uma assinatura de sua presença, é quase uma metáfora perfeita Gabriela não precisou deixar de ser mulher para conquistar espaço, encontrou sua própria maneira de ocupar esse espaço.
Talvez a parte mais interessante de Gabriela, porém, não esteja no currículo, está na maneira como ela enxerga a vida, ela se define como intensa, alegre e extremamente otimista acredita na possibilidade diária de recomeçar e brinca ao dizer que seria uma mistura improvável de Fábio Jr. com Dercy Gonçalves, uma definição bem-humorada para alguém que parece não ter muito interesse em viver dentro de personagens previsíveis.

A partir de outubro, Gabriela Machado Ramos entrará em um novo momento de sua trajetória, será avaliada para a possibilidade de comandar seu próprio programa da televisão nacional, ese depender das histórias que já atravessaram sua vida, não faltarão assuntos, a proposta deverá explorar justamente aquilo que Gabriela parece fazer de maneira natural, conversar com pessoas, provocar boas histórias e transformar situações cotidianas em entretenimento.
Sem papas na língua, ela poderá levar para a televisão nacional uma mistura de humor, comportamento, encontros, convidados e muitos casos da vida real.
Porque algumas histórias farão rir.
Outras provavelmente provocarão aquela identificação imediata de quem está assistindo e pensa: “isso já aconteceu comigo” e algumas poderão emocionar.
Afinal, por trás da empresária experiente, da mãe de três homens, da “Tia Gabi”, da mulher do capacete rosa e da profissional que aprendeu a sobreviver em ambientes difíceis, existe alguém que parece ter entendido uma coisa importante:
a vida fica muito mais interessante quando temos coragem de vivê-la por inteiro.
Agora, talvez tenha chegado a hora de dividir um pouco dessa vida com o Brasil.
Preparem-se para rir, preparem-se para se identificar mas também preparem-se para se emocionar, porque, se Gabriela Machado Ramos chegar à televisão como chegou até aqui, inteira, espontânea e sem medo de recomeçar, o público não encontrará apenas uma apresentadora, encontrará uma mulher real conversando sobre histórias reais.



