Dona de uma das trajetórias mais elegantes e consistentes da dramaturgia brasileira, atriz recebeu o Kikito de Cristal no 54º Festival de Cinema de Gramado e vive um momento especial de reconhecimento de uma carreira que ultrapassou fronteiras.
Gramado viveu uma de suas noites de celebração ao talento brasileiro com Maria Fernanda Cândido entre os grandes nomes da 54ª edição do Festival de Cinema. Aos 52 anos, a atriz chegou à Serra Gaúcha não apenas como uma estrela admirada pelo público, mas como representante de uma geração de artistas que conseguiu construir uma carreira sólida no Brasil e, ao mesmo tempo, conquistar espaço no cenário internacional.
Realizado entre os dias 12 e 22 de agosto, o Festival reservou a Maria Fernanda uma de suas principais distinções: o Kikito de Cristal, reconhecimento concedido por sua contribuição ao cinema. Na edição de 2026, o ator e diretor Selton Mello também foi escolhido para receber a honraria.

Uma brasileira que atravessou fronteiras.
A homenagem ganha ainda mais significado quando observada à luz do momento vivido pela atriz.
Maria Fernanda construiu uma trajetória que passou pela televisão, pelo teatro e pelo cinema e que, nos últimos anos, ganhou uma dimensão cada vez mais internacional. Um dos capítulos que ampliaram sua projeção mundial aconteceu quando interpretou Vicência Santos, Ministra da Magia do Brasil, em Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore, lançado em 2022.
Ao integrar uma superprodução ligada ao universo de Harry Potter, ao lado de nomes como Jude Law e Eddie Redmayne, a brasileira experimentou uma repercussão que ela própria admitiu não imaginar inicialmente. Durante sua passagem por Gramado, contou que somente depois do lançamento conseguiu compreender a dimensão mundial dos fãs da franquia.
E talvez seja justamente essa capacidade de circular entre universos tão diferentes que ajude a explicar a longevidade de Maria Fernanda.
Ela consegue transitar entre grandes produções internacionais e projetos autorais sem perder a identidade construída ao longo de décadas no audiovisual brasileiro.

De Gramado para o mundo e do mundo novamente para Gramado
O ano de 2026 já havia reservado outro momento emblemático para a atriz.
Maria Fernanda esteve entre os brasileiros que cruzaram o tapete vermelho do Oscar, em uma edição de forte presença nacional. Na ocasião, também chamou atenção ao se tornar a primeira brasileira a usar uma peça de alta joalheria da Tiffany & Co. na cerimônia, reforçando uma imagem de elegância que acompanha sua trajetória pública.
Meses depois, a cena mudou.
Das luzes de uma das maiores premiações do cinema mundial para o tradicional tapete vermelho da Serra Gaúcha, Maria Fernanda voltou suas atenções para o cinema brasileiro.
E há algo simbólico nesse movimento.
Gramado não celebrou apenas uma atriz que conseguiu chegar ao exterior. Celebrou uma artista brasileira que, mesmo conquistando novos territórios, manteve sua história conectada à produção audiovisual de seu país.
Elegância que vai além do tapete vermelho
Ao longo dos anos, Maria Fernanda Cândido também construiu uma relação particular com a moda. Sua presença sofisticada tornou-se uma espécie de assinatura, mas é justamente a combinação entre imagem, discrição e consistência artística que fez com que sua carreira atravessasse diferentes fases sem depender exclusivamente da exposição.
Em uma indústria marcada pela velocidade, Maria Fernanda escolheu construir permanência.
Personagens, projetos internacionais, cinema autoral, grandes produções e aparições cuidadosamente escolhidas ajudaram a formar uma trajetória em que a elegância nunca precisou falar mais alto do que o trabalho.

Uma homenagem à trajetória e também ao que ainda está por vir
Aos 52 anos, Maria Fernanda Cândido chega a Gramado em um momento diferente daquele vivido por artistas que recebem homenagens apenas como retrospectiva de uma carreira.
No caso dela, o reconhecimento acontece enquanto novos capítulos continuam sendo escritos.
É exatamente isso que torna o Kikito de Cristal de 2026 especialmente representativo: ele celebra o caminho percorrido, mas encontra uma artista ainda em movimento, transitando entre o cinema brasileiro e produções de alcance mundial.
Na 54ª edição, que reuniu 96 filmes distribuídos em dez mostras, o Festival de Cinema de Gramado transformou mais uma vez a Serra Gaúcha em ponto de encontro do audiovisual brasileiro.
Entre tantos filmes, artistas e histórias, Maria Fernanda Cândido protagonizou uma das imagens que permanecem depois que as luzes do tapete vermelho se apagam: a de uma atriz brasileira que conquistou o mundo sem precisar se afastar de suas próprias raízes.



