Viradouro conquista o tetra com homenagem a Mestre Ciça; Acadêmicos de Niterói é rebaixada após enredo sobre Lula

A Quarta-feira de Cinzas (18) consagrou a Unidos do Viradouro como a grande campeã do Carnaval do Rio de Janeiro 2026. Com um desfile tecnicamente perfeito e emocionante, a escola de Niterói conquistou seu quarto título na história ao levar para a Sapucaí o enredo “Para cima, Ciça!”, uma homenagem em vida a Moacyr da Silva Pinto, o lendário Mestre Ciça, que completou 70 anos e comandou a bateria da própria agremiação.

A “Furacão Vermelho e Branco” gabaritou praticamente todos os quesitos, encantando os jurados com a ousadia de suas bossas e a leveza de suas fantasias. A apuração, realizada na Cidade do Samba, foi decidida décimo a décimo, com a Viradouro superando a vice-campeã Beija-Flor de Nilópolis nos quesitos finais de Evolução e Harmonia. A festa tomou conta da quadra no Barreto, em Niterói, consolidando a escola como a maior potência do carnaval carioca na atualidade.

O outro lado da moeda: Polêmica e Rebaixamento

Enquanto o lado vermelho de Niterói celebrava, a outra representante da cidade amargou o pior resultado do ano. A Acadêmicos de Niterói, estreante no Grupo Especial, ficou em último lugar e foi rebaixada para a Série Ouro. A escola apostou em um enredo altamente politizado, homenageando a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o título “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.

O desfile foi marcado por problemas técnicos e críticas severas. Além de falhas em alegorias que prejudicaram a evolução, o enredo dividiu opiniões. Especialistas apontaram que o tom de “comício” na avenida, com alas fazendo referências diretas a programas de governo e críticas ácidas a adversários políticos, pode ter pesado na caneta dos jurados em quesitos como Enredo e Samba-Enredo. A escola, que havia subido em 2025, não conseguiu se sustentar na elite e volta para o grupo de acesso em 2027.

O resultado final desenha um Carnaval de contrastes: venceu a homenagem à cultura interna do samba e à figura carismática de um mestre de bateria; perdeu a tentativa de transformar a passarela em palanque político explícito.

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