As ladeiras históricas de Ouro Preto, em Minas Gerais, foram preenchidas hoje por um mar de cores, sons e devoção. O tradicional Festival Afro-Brasileiro, uma das celebrações mais importantes do calendário cultural do estado, reuniu milhares de fiéis e turistas sob o lema “Alegria, cultura e fé”. O evento celebra as raízes africanas que moldaram a identidade mineira e brasileira, misturando ritos ancestrais com manifestações artísticas contemporâneas em um cenário de arquitetura barroca.
A programação deste 12 de janeiro contou com o tradicional cortejo das Guardas de Congado e Moçambique, cujos tambores ecoaram pela Praça Tiradentes, simbolizando a resistência e a preservação da cultura negra. Além das celebrações religiosas e rituais de bênção, o festival ofereceu oficinas de culinária afro-mineira, feiras de artesanato e debates sobre o papel da juventude negra na preservação do patrimônio imaterial. Para os organizadores, o festival em 2026 superou as expectativas de público, consolidando Ouro Preto não apenas como um centro de arte colonial, mas como um polo vivo de cultura afro-brasileira.

Autoridades locais destacaram o impacto positivo no turismo. A ocupação hoteleira na cidade e em municípios vizinhos chegou a 95%, gerando renda para guias, artesãos e pequenos empreendedores. A segurança foi reforçada para garantir que a festa ocorresse em clima de paz e celebração. Mais do que um evento turístico, o festival é um momento de afirmação política e social, onde a fé se torna o fio condutor para celebrar a história e a dignidade de um povo que, apesar das dificuldades históricas, segue construindo a beleza cultural do Brasil.


