Em pronunciamento nesta segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender a proposta de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que ganham até R$ 5 mil por mês. Segundo o presidente, a medida tem potencial para injetar R$ 28 bilhões na economia, impulsionando consumo, girando comércio e fortalecendo a renda de milhões de brasileiros.
A proposta, que ainda depende de aprovação no Congresso, é vista como ambiciosa e divide opiniões. De um lado, economistas avaliam que a desoneração pode estimular a atividade econômica ao aumentar o dinheiro disponível para famílias de renda média. Do outro, especialistas em contas públicas alertam que a renúncia fiscal pode pressionar o orçamento caso não seja compensada por outras medidas.
No discurso, Lula destacou que a isenção do IR é um compromisso histórico e uma meta para tornar o sistema tributário mais justo. “Quem ganha pouco paga proporcionalmente mais do que quem ganha muito”, afirmou. O presidente insistiu que o aumento do poder de compra contribuirá para movimentar o varejo, pagamentos de dívidas e pequenos investimentos pessoais.

Parlamentares, no entanto, pedem cautela. A proposta deve enfrentar debates sobre impacto fiscal, cumprimento de metas e responsabilidade com a trajetória da dívida pública. Alguns defendem que eventuais perdas de arrecadação sejam compensadas com revisão de benefícios tributários concedidos a setores específicos.
Enquanto isso, o mercado acompanha com atenção. A possibilidade de uma redução significativa de receita pode gerar reavaliações nas projeções fiscais, influenciar estimativas de inflação e até afetar decisões sobre juros.
A discussão promete dominar os próximos meses em Brasília. A depender da negociação política e das contrapartidas propostas, o projeto pode se tornar uma das principais pautas econômicas de 2026 — com enorme impacto social e político.


