A análise realizada pela Universidade de São Paulo e publicada na revista The Lancet revela que o consumo de ultraprocessados no Brasil mais que dobrou nas últimas décadas. Esses produtos, que representavam uma pequena parcela da dieta nacional nos anos 1980, passam a responder atualmente por quase um quarto de tudo o que é consumido no país.

O estudo observa dados de 93 nações e mostra que a tendência é mundial. Espanha e Coreia do Sul triplicam o consumo, enquanto China e Argentina também registram avanços expressivos. O Brasil acompanha esse movimento, enquanto o Reino Unido se mantém estável, embora com metade da alimentação baseada em ultraprocessados. Nos Estados Unidos, esse tipo de produto chega a compor sessenta por cento da dieta.
Os pesquisadores indicam que estratégias de marketing e influência política exercida pela indústria contribuem para transformar os hábitos alimentares. Entre 104 estudos analisados, 92 apontam relação direta entre a ingestão de ultraprocessados e doenças como obesidade, diabetes tipo dois e câncer colorretal, reforçando um alerta que ganha força no cenário internacional.



