Viúvo de Gilberto Braga critica remake de “Vale Tudo”: “Gilberto não teria gostado nada”

Edgar Moura Brasil, viúvo do renomado autor Gilberto Braga, fez declarações contundentes sobre o remake de Vale Tudo escrito por Manuela Dias, em entrevista à coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. Ele apontou o que considera como a pior alteração na versão de 2025 e avaliou que a adaptação se distanciou demais da obra original de Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères.

Edgar afirmou que “não houve respeito pela obra original” no remake. Um dos pontos que mais o incomodou foi a transformação da vilã Odete Roitman. Na versão original, Odete era uma personagem complexa, vilã vigilante com camadas humanas — preocupada com filhos, família, tinha poder e presença, mas também domínio sutil de sua maldade. Já no remake, segundo Edgar, ela foi retratada de forma exagerada e caricata: “virou uma pessoa louca, inconsequente, atirando e tentando envenenar as pessoas, praticamente uma serial killer ninfomaníaca”.

Para ele, essa mudança descaracteriza o propósito da novela original: a reflexão provocativa sobre honestidade em um Brasil onde muitos pensam em tirar vantagem em tudo. Ele lamentou que a essência de Vale Tudo, especialmente sua pergunta central — “vale a pena ser honesto no Brasil?” — parece ter sido perdida ao longo dos ajustes feitos na adaptação. Ele observou que os personagens perderam coerência, os diálogos profundidade, e a dramaturgia ficou comprometida em sua qualidade.

Edgar também comentou que embora acompanhe ocasionalmente alguns capítulos, foi pela internet e pelas repercussões que ele percebeu essas alterações. Ele disse que se sentiu triste por ver personagens “tão ricos” serem reduzidos a traços extremos, sem sutileza ou humanidade, elementos que Gilberto Braga valorizava. Segundo Edgar, Braga “jamais teria construído personagens tão tacanhos e incoerentes”.

Ele mencionou ainda que a humanização, argumento da adaptação para justificar mudanças, foi mal compreendida: “Humanizar uma personagem não é emburrecê-la”. Ele acredita que o remake poderia atualizar a linguagem e refletir contextos modernos, mas sem perder a integridade moral e psicológica dos personagens clássicos. Por exemplo, no original, Odete jamais colocaria um filho em uma choupana por maldade gratuita, ou deixaria um filho deficiente morar em condições inadequadas apenas para esconder um crime do passado.

Além disso, Edgar afirmou que Manuela Dias, em sua opinião, não teve “lastro nem intimidade intelectual” para conduzir uma obra de tamanho porte. Ele ressaltou que faltou elegância nos diálogos, refinamento na psicologia dos personagens, conhecimento clássico de literatura, cinema e dramaturgia.

Por fim, ele fez uma avaliação geral da novela original como “uma obra fantástica”, com diálogos primorosos, personagens bem trabalhados, humanos, nada maniqueístas. Ele considera que o remake, apesar de algumas qualidades, não atendeu às expectativas de quem conhece Vale Tudo de longa data, especialmente em termos de fidelidade ao espírito da obra que marcou décadas.

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